Aquele que diz a verdade, rezam as crónicas da História, é apontado como perigoso pelos poderes estabelecidos , muitas vezes é feito prisioneiro ou , pura e simplesmente, acaba assassinado. Basta ler a Bíblia, ver as histórias trágicas dos mártires ou, por exemplo, a dos opositores aos Estados Totalitários, para contemplarmos uma quantidade atroz de vítimas cujo pecado original foi denunciar a mentira e a opressão.
Ora, o que está a acontecer com o informático Eric Snowden, brama aos céus. Porque revela até que ponto as Democracias são frágeis e, por trás do finíssimo verniz da civilização, se esconde a Realidade Política nua e crua, impiedosa, que tritura quem a ousa enfrentar.
Snowden fez algo que qualquer cidadão normal tem o dever de fazer: denunciar uma Injustiça e uma Ilegalidade. No caso, o facto dos Estados Unidos utilizarem as redes da Internet para recolher dados e espiar os seus aliados - acusação que foi corroborada por Barack Obama, quando o Presidente americano disse que esse era um procedimento habitual.
A União Europeia, em vez de pedir explicações, fingiu que nada aconteceu. Os países sul-americanos, pelo contrário, reagiu com veemência, solicitou que os Estados Unidos se retractassem destes comportamentos, enfim, mostrou que possui uma identidade próprio e que defende os seus cidadãos .
O cúmulo desta diferença de abordagem à questão Snowden, aconteceu quando o avião presidencial Bolíviano foi impedido de aterrar em Portugal, Espanha, Itália e França, por suspeitos de que Snowden pudesse ir a bordo. Como se fosse um criminoso, ele que apenas quis desmontar uma rede de espionagem global.
Nietzche, dizia na época em que viveu, que os anti-valores se tinham tornados os valores em ascensão. Essa é a conclusão a que chegámos: os valores estão subvertidos, aquele que diz a verdade, é demonizado, perseguido, ostracizado.
Pela Europa, cujos valores fundadores jazem sepultados na mais medonha hipocrisia política.
Rui Marques
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