sexta-feira, 5 de maio de 2017

BALEIA AZUL

O jogo "Baleia Azul", cujo objectivo final é levar os participantes ao suicídio, já fez várias vítimas no mundo inteiro. Em Portugal, foram abertos três inquéritos pela Procuradoria-Geral da República relacionados com o dito evento e recentemente foram conhecidos mais dois casos. Além de uma jovem de Matosinhos, também uma adolescente de Gondomar está a receber tratamento psiquiátrico, depois de lhe terem sido detectados cortes no corpo associados ao jogo. A adolescente recebia telefonemas do administrador do jogo, bem como músicas e filmes de terror.
Os participantes do "Baleia Azul" são, em regra, adolescentes fragilizados. Parte dos 50 desafios envolve automutilação e o último é "tira a tua tua própria vida". Uma das condições é que o jogo deve ser cumprido até ao fim, sem desistências e sem contar a ninguém.
O primeiro caso revelado no nosso país foi o de uma jovem de 18 anos, residente em Albufeira, que foi levada a automutilar-se e a atirar-se de um viaduto junto a uma linha férrea. A tentativa de suicídio ocorreu a 27 de Abril. A jovem foi encontrada caída na linha férrea da estação de comboios de Ferreiras, em Albufeira.
Para além da pura maldade dos mentores do jogo, há que ter em conta que vivemos numa sociedade completamente desestruturada, sem valores, onde impera a lei do mais apto e do mais "forte". Os jovens e os adolescentes de hoje, se exceptuarmos fenómenos como a mobilização em torno de Mélenchon em França, não têm quaisquer perspectivas de futuro, estão colados à Internet e aos smartphones, não têm ideais, não têm interesse em estudar. Isto porque os media lhes querem (e conseguem) fazer a cabeça, porque os pais lhes exigem o sucesso a qualquer preço, porque o capitalismo lhes impõe o mercado onde te safas ou cais em depressão ou pensamentos/comportamentos suicidas. É um outro "no future". Um "no future" sem revolta.

2 comentários:

  1. O seu texto é muito interessante mas... aquela do Melenchon não lembra ao diabo, assim metido "à pressão"!!

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  2. Se o ócio é o cerne de todos os vícios, logo, chafurdando nele, dá no que dá.

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