sábado, 6 de maio de 2017

Vidas engarrafadas

Via aberta a todas as desgraças
Sempre me afastei das bebedeiras
E mesmo em festivas brincadeiras
Nunca caí na tentação das taças.

Repetindo sempre as mesmas chalaças
Angustiados com as coisas feias
Alguns amigos de tristes ideias
Procuram alegria nas  garrafas!

Em tudo que cantam há amargura
Tratam muito mal a sua figura
Que pouco conta num mundo complexo…

Prisioneiros no seu labirinto
Já nem distinguem o branco do tinto
E tudo lhes fica mais desconexo.

Amândio G. Martins


7 comentários:

  1. Quando li o seu soneto, bem percuciente, lembrei-me de dois "paradoxos". Um, de como o álcool vínico é a maior "droga legal" existente. O segundo de como é capcioso o "conselho cínico" do "beber morigeradamente" se, ao mesmo tempo, falarmos de "bem económico". Se todos bebêssemos pouquinho, com se escoava tanto vinho?... Bom, vamos beber um copo!...

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  2. Um copo, só que os copos são como as cerejas, puxa-se por um e logo vêm engatados uns nos outros. Um copo é quanto eu bebo por dia, ao almoço; mas é mesmo só aquele copo, de tamanho decente, não como o da anedota do médico, que tendo mandado o doente beber só um, comprou um exemplar de litro...

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    1. O meu, diário, num pequeno balão, só difere do seu... por ser ao jantar. Olhe, e quanto à do médico, eu tive um "parafamiliar" que assim fez! E mais, também não comia carne de porco mas... de porca!... Bom domingo!

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  3. Isto das anedotas com viciados são ilimitadas. Um adicto do tabaco, ao ouvir o médico avisá-lo, sem panos quentes, que se não deixasse de fumar não voltasse lá, porque o tabaco, se por um lado o distraía dos problemas, por outro lado...-foi interrompido pelo sujeito sem vergonha que lhe disse: -quanto a isso esteja descansado, doutor, que eu só fumo por um lado...

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  4. Os meus amigos Amândio e Fernando desiludem-me. Tanta frugalidade perturba-me e, se querem que vos diga, até me faz sede. Então, nunca se bebe um whisky, de preferência sem gelo? E obscurece-se a aristocracia de um cognac ou, no mínimo, de um brandy? Já para não falar dos plebeus bagaço, grappa, ginja, jeropiga, água-pé, medronho e ouzo. Queimada, só se for na Galiza ou na Madeira. E que dizer do champagne e do sherry? Para não falar dos schnapps e outras bebidas nórdicas que só os desregrados sulistas bebem? Quanto aos gins e vodkas da moda, só lhes aproveito a água tónica e o sumo de laranja. Ah, ia-me esquecendo de um fininho bem gelado com amendoins e tremoços. Ou, vamos lá, uma cidra. Reparem que não falei dos licores tão do agrado das senhoras (só?), incluindo o limoncello. Nem do saké. Do que eu não posso deixar de falar é de um bom Porto, vintage ou não.
    Ai que os meus amigos andam a desprezar a cultura e, de caminho, a destruir a economia mundial. Desculpem esta brincadeira, mas não resisti. Um grande abraço (não) abstémio aos dois e até logo, que vou beber um chá (glup-soluço).

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  5. Impressionante que do extenso rol de "guloseimas" que o senhor José Rodrigues aqui deixa não apareça a única bebida indispensável à vida: H2.O...

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    1. Tem razão, tão indispensável que está em todas as outras, até na tónica. Um bom dia primaveril e sem álcool.

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