sábado, 6 de maio de 2017

Fátima, as palavras e alguns actores

Fátima e toda a sua carga religiosa,simbólica, económica, é um dos temas que não trará nunca consensos. A fé e o seu crente ou "interesseiro" uso, traduz bem muita da pluralidade do ser humano e talvez por aqui me poderia  ficar. No entanto, também é da nossa natureza e/ou cultura, podermos analisar muito dos aspectos que os crentes tornam despiciendos por somente lhes interessar o dogma a que se agarram axiomaticamente.
Vem isto a propósito dos "100 anos das Aparições" que  a Igreja Católica ainda usa como frase impressa neste ano da vinda do Papa Francisco à Cova da Iria. Mas também de como um dos seus membros, o Bispo Carlos Azevedo (CA), do Conselho Pontifício da Cultura do Vaticano, lançou um livro em que bane a palavra "Aparições" para a substituir por "Visões", Tem significado a troca? Já lá vamos.
Ouvi com muita atenção a entrevista que o prelado deu a Vítor Gonçalves, na RTP3. Por mais que uma razão e confessando desde já que não gosto do homem. E fiquei a saber que a CA entende que a Virgem não apareceu mas foi sim uma "visão interior, um processo místico, dos pastorinhos. Pastorinhos esses  que, logo a seguir (respondendo a nova pergunta do jornalista, que o interroga se é acertado canonizar  duas crianças) diz serem "exemplo de de virtude" pela sua tenra idade, despida de vícios. Aqui chegados, responde que o alegado assédio sexual de que foi acusado em relação ao padre Zé Nuno, ex-capelão do Hospital de S. João e extensamente noticiado pela revista VISÃO, aqui há um ou dois anos, é assunto encerrado porque aquela padre... pediu perdão (sic). O que ouvi nas palavras não correspondia á mímica facial, mas esta minha  leitura vale o que vale.
Termino com algumas perguntas: 1-Porque se dá a mudança de "aparições" para "visões"? Será o mesmo que retirar Deus detrás de Éden, para o colocar antes do Big Ban? E o "tacticismo" de mudar a palavra num livro mas mantê-lo no título da comemorações? Será "lampedusiano"?...
2- E quanto às crianças... crianças normais com "visões"?! 3- Ainda as crianças: será o bispo Carlos Azevedo a pessoa certa para falar delas e de como as devemos considerar na sua inocência virtuosa?

Nota final: A propósito do longo texto da VISÃO, escrevi, na altura, uma carta ao hebdomadário, perguntando se iam continuar com o assunto, como me parecia curial. Não recebi resposta nem publicação. Chegou a última... seis meses mais tarde (?!!). Ontem repeti o gesto com  o título - "Afinal o "algoz" era o padre ZéNuno?" - e aguardo. O quê? Pois que a revista diga o que tem a dizer ao proclamado "pedido de perdão" e também que o referido pároco saia à liça dizendo da veracidade ou não da "surpreendente" afirmação do Bispo, pois dum homem probo e doutorado em Bioética não se espera outra coisa!

Fernando Cardoso Rodrigues


4 comentários:

  1. Totalmente de acordo da primeira à última linha. Se "posso" assino por baixo. Muito bom.

    Esperemos que a Visão responda!

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  2. Eu confesso que percebi mal esta denúncia e os seus desenvolvimentos. De facto, pareceu-me fora de contexto e tarde de mais, se tivermos em conta o estatuto do denunciante; mas é bom lembrar que há padres católicos muito pouco católicos...

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    1. Por isso, porque a história tem muitas "nuances" nebulosas, é que estou a citar a terreno os intervenientes. Senão, estamos a falar de secretismos e "contorcionismos" em que a honra pessoal se esvai na defesa da instituição, o acusado (tão generoso que ele é no "perdão!...) varre a testada com uma declaração curta na TV e por aí fora. O que é da mesma "família" das prescrições jurídicas para "acabar com os assuntos" e da "bondade" das sociedades secretas a que alguns chamam de "clubes do Bolinha". Porque não, por exemplo... uma entrevista, na RTP3, ao Padre Zé Nuno?... Olhe, boa ideia, vou escrever ao Provedor da RTP, sugerindo isso mesmo... Acordei ingénuo!

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