terça-feira, 20 de junho de 2017

A boa literatura salva mesmo

Permito-me discordar do que disse A. Pedro Ribeiro, que a literatura ainda não salva vidas. Salva, sim, e já terá valido à minha várias vezes; só são necessárias algumas condições, como ser lida, ser entendida e serem seguidos os princípios e valores que propõe.
Há dezenas de anos que gente que sabe do que fala definiu o que deve ser feito na nossa floresta; e há dezenas de anos que, ano após ano, se trata dos meios de combate a incêndios – negócio de milhões – e não de como evitá-los o mais possível e minorar os seus estragos.
Têm sido reportados casos em que a floresta ardeu, replantou-se tudo como estava e - sem surpresa nenhuma -  passados anos ardeu de novo; precisamente porque não se aprendeu nada com o desastre, repetiu-se tudo! Quem já não ouviu falar em aceiros, acessos e reservatórios de água ? Dependendo da orografia, os aceiros também podem ser acessos; mas como não há aceiros, os acessos são impraticáveis para aqueles carros e os reservatórios são muitas vezes piscinas particulares e represas que os lavradores usam para regar os campos; assim, quando tudo depende de meios aéreos estamos conversados…
Como entender que depois de um incêndio que devorou tudo se não aprenda nada e se reponha o arvoredo até junto das casas, até às bermas das estradas… A própria entidade gestora das estradas reivindica para si todas as árvores que crescem no rebordo das vias sob sua jurisdição, fazendo contratos periódicos com madeireiros, quando o que deveria fazer era assumir ela própria que até àquela distância mínima já definida por lei não cresça nenhum tipo de vegetação.
Aqui na minha região diz-se que quem bem faz a cama, bem dorme nela. Quando vejo nas reportagens que nos metem pelos olhos as casas rodeadas de vegetação a que os donos não ligam a mínima, a primeira coisa que me ocorre é a inconsciência daquela gente; é que o fogo só lá chega porque tem alimento para isso, mas se negligenciamos coisas tão evidentes, não há que estranhar as desgraças.
E as lamentações que normalmente se seguem não servem para nada. Isso de lamentações era com o profeta Jeremias…

Amândio G. Martins



1 comentário:

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