sábado, 24 de junho de 2017

Face ao comentário que o Caro Joaquim Carreira Tapadinhas fez ao que abaixo vem inserido no Público de hoje, permito-me colocar aqui o texto completo, obrigado, Joaquim.


 
Incêndio Junho 2017- não façam da actual ministra o bode-expiatório

Todo um acumular de décadas, em que se foi insistindo e persistindo em “atitudes” que têm vindo a “ajudar” o País a arder, não vai ter “que ter” agora como bode-expiatório a actual ministra da Administração Interna, para “lavagem de consciências de tantos e tantas”.

Seria o mais fácil e o mais simples, ilibar de responsabilidades e passar culpas de todos e todas que tiveram “comprometimentos” anteriores e que talvez não tivessem feito em devido tempo o que fosse indispensável, fazer.

Depois de durante dias e dias, de manhã, à tarde e à noite, todas, mas mesmo todas as televisões estarem em directo e a cores a passar imagens dos locais do incêndio de Pedrógão Grande, com “pivots” nos locais que não são os mais indicados para lá estar, com comentadores nos estudos dos mais variados, e em permanência.

E em simultâneo, repetindo as mais tenebrosas imagens, os desabafos de pessoas em aflição, tudo, tudo até à exaustão, a emoção toma conta de todos e de todas e a racionalidade desaparece.

Não esquecendo que para além do que muito “desgraçadamente” aconteceu em Pedrogão Grande, e no que tantos e tantas gostam de até ao exagero de apelidar de “Estrada da Morte”, há mais vida, quer no nosso País – que não só futebóis, estes sempre presentes, aconteça o que acontecer – quer pelo Mundo, que parece que passou a um estádio que deixarmos de ter que saber, que existem.

De repente o nosso País, e com o máximo respeito devido pelas mortes e sofrimento de tantos nossos concidadãos, não se deveria deixar tomar pela emoção e esquecer que há mais País, há mais mundo, há mais de tudo.

E, como todos gostamos de atirar as culpas para “alguém” para ficarmos “aliviados” e passar responsabilidades – uma vez que somos todos humanos e todos vamos errando vida fora – agora o “alvo a abater “e com toda a força é a actual ministra da Administração Interna.

E, como não queremos ter memória, que hoje tem pouco mais que a semana passada, já nos conseguimos esquecer que no anterior Governo, algo de muito grave aconteceu com o ministro que ocupou o lugar da actual ministra na Administração Interna, que não se demitia e virou “arguido”, e não terá sido por incêndios.

Por certo, se quisermos ir recuando, recuando, se quisermos racionalmente constactar que muito foi por todos menos bem feito ou ficou por fazer, não se iria esperar que a actual ministra da Administração Interna, em dois anos fizesse o que não foi feito em décadas.

E não só no combate a incêndios, mas também em relação a todas as Polícias que dependem do Ministério da Administração Interna, e se fosse era uma “milagreira” e não uma ministra.

Haverá que, por quem de facto sabe, que não é de modo algum quem isto escreve, não é, saber-se se o nosso País só deve ter Bombeiros Sapadores, se temos eucaliptos a mais, se as bermas das ruas e estradas estão demasiado descuidadas e são pasto a um cigarro aceso atirado por um passante, se os aviões e helicópteros, servem.

E se não sabemos por nós, vamos aprender “lá fora” com quem sabe e não necessitamos de criar comissões e mais comissões que estudam o que outros bem melhor que nós, já fizeram e resolveram.

A roda já foi inventada há muito, não a temos que voltar a engendrar, e à nossa medida!

Não é justo, não é humano, estar a querer fazer deste gravíssimo incêndio um passa culpas de tudo o que deixou de ser feito em décadas e queimar em lume activo a actual ministra da Administração Interna.

Ou é, e nunca mais, nada com princípio, meio e fim resolveremos, neste País, no que quer que seja.

Quem isto escreve só sabe da que esta senhora ministra o é, pelo que vai lendo desde que que ocupa o cargo. Só! Mas! Tenta pensar por si!

Augusto Küttner

Junho 2017




Sem comentários:

Enviar um comentário

Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças a quem quer que seja. Não serão considerados os comentários anónimos. Obrigado.