segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

GENTE DE FÉ

VICENTE DE PAULO

Nasceu em grande família
Em permanente vigília
Para que todos vencessem
Terceiro de muitos filhos
Ultrapassou empecilhos
Para que muitos vivessem.
Sendo bom por natureza
Desfrutava da beleza
Nos montes pastoreando
No silêncio dos campos
Desenvolvia encantos
Que cresciam estudando.
No verdura da idade
Tal responsabilidade
Embeveciam o mestre
Que guiando-lhe o estudo
Disse ao pai fazer de tudo
Para que não se perdesse.
Bem modesto nas maneiras
Viu nas desgraças alheias
Um trabalho meritório
E com estudos precisos
E objectivos concisos
Dedicou-se ao sacerdócio.
Fez-se padre muito cedo
Num mundo de meter medo
Ensanguentado em guerras
Mas Deus deu-lhe a vocação
E um enorme coração
Para combater misérias.
Nos solavancos da vida
Em viagem imprevista
Viu-se no mar assaltado
Escravo de sarracenos
Conheceu outros infernos
Antes de ser libertado…
As virtudes sacerdotais
Mostravam-lhe os maus sinais
De quanto à volta via
Tantos padres ordenados
E não vocacionados
Para um mundo que sofria.
Divertiam-se no luxo
Sem trabalho nem estudo
Corrompendo-se no ócio
A cotação da virtude
Em padres sem atitude
Ignorava o próximo…
Num meio tão degradado
Mostrava-se revoltado
Com o luxo provocante
Via nos salões do mundo
O descaso mais rotundo
Da miséria chocante.
Almas vazias de crença
E total indiferença
Por crianças desgraçadas
Levaram padre Vicente
Ao apelo comovente
Às damas mais bem formadas.
E nas disputas com nobres
Que esqueciam os pobres
Mostrava-lhes a virtude
Corrigindo pecadores
E ensinando valores
Para mais solicitude.
Luís XIII – Richelieu
Ana d´Áustria – Mazarino
Pelos reis bem acolhido
Mas ao suplicar amparo
Para tanto desgraçado
Pelos cardeais corrido!
Vendo-se admoestado
Por ter o fato coçado
Ao visitar a rainha
Ao nobre desaforado
Respondeu estar coçado
Mas que nódoas não tinha!
A guerra dos trinta anos
Que causou imensos danos
A quem já sofria tanto
Na infância desvalida
Muito mais desprotegida
Vicente não tem descanso.
Se até Jean Jacques Rousseau
Os filhos abandonou
Pelas igrejas ao redor
O bom do padre Vicente
Foi o amparo presente
A dar-lhes pão e amor.
Muitas vezes ofendido
Por não se dar por vencido
A quem sempre o perseguiu
Disse a quem o confessava
Quando já se apagava
“Nunca ninguém me ofendeu”!

Amândio G. Martins




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