domingo, 21 de fevereiro de 2016

(Projetar) o futuro


Resumindo a minha leitura do Público deste domingo numa palavra... Futuro.
No Editorial, intitulado, «A Europa sem sinais de futuro», lemos "o pior de tudo é mesmo não se vislumbrar qualquer sinal de futuro para o projeto europeu".
Mas é, justamente, para o futuro, que Coimbra de Matos - "provavelmente o nome mais respeitado da psicanálise de Portugal" -, escolheria viajar se tivesse uma máquina do tempo à sua disposição: " o passado passou, que é que ia fazer com o passado?; (...) gostava de ter mais 100 anos à frente. O bife que me interessa é o que vou comer logo à noite, não é o que comi ontem; (...) vivemos do futuro; (...) estou mais interessado no futuro do que no passado (...); ando mais ligado àquilo que a pessoa projeta no presente e para o futuro (...)". A experiência de Coimbra de Matos mostrou-lhe que o paciente, ao longo da vida, vai aprendendo coisas novas e vai mudando. "E isso é que é o mais importante". 
Talvez a Europa esteja  a aprender também coisas novas que nos obrigam a mudar, para melhor, esperamos. Para o psicanalista português, um otimista, estamos a aperfeiçoar-nos.
Morreu esta semana um homem curioso pelo saber, um homem que é também a sua biblioteca de mais de cerca de 50 mil livros, "que estudava o passado para compreender o presente e antecipar o futuro", Umberto Eco. Um especialista na Idade Média, que ficou famoso pelo seu romance histórico, O Nome da Rosa, uma história que decorre em plena Baixa Idade média, dois ou três séculos depois da Igreja Católica Ortodoxa e a Igreja Católica Romana se terem «divorciado». 
Há poucos dias, em Cuba, as duas Igrejas sentiram "fortemente a necessidade de um trabalho comum", escreveu Frei Bento Domingues.
É a própria Igreja Católica que ainda procura a perfeição, procura ser mais santa, mais feliz. Mas a perfeição está longe de ser alcançada. Vivemos, todos, na «zona da imperfeição» (Messiaen, compositor) e o futuro é esse lugar, esse espaço e tempo onde reside a esperança de um mundo melhor para cada um de nós.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças a quem quer que seja. Não serão considerados os comentários anónimos. Obrigado.