sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Juízes e celebridades

Ana Nicolau é activista dos Precários Inflexíveis. Vai a tribunal a 2 de Março próximo, por ter “exigido” a demissão do então Primeiro-Ministro, Passos Coelho, em contestação popular ilegal, na Assembleia da República, em 11 de Março do ano passado. O poder instituído na altura tentou incriminar judicialmente uma cidadã que se quis fazer ouvir e que cometeu um “crime” que eu, se lá estivesse naquele momento, possivelmente também teria cometido. Agradeço aos céus, contudo, a sorte que tenho e que a Ana poderá não ter: é que lhe pode “sair na rifa” um(a) juiz(a) sedento(a) de fama como a que tratou, de forma tão “exemplar”, a Bárbara. Sim, sim, essa mesmo, a Bárbara Guimarães, a ex-mulher do “senhor professor”, a mediática apresentadora de TV. Lembro-me muito bem dos nomes destes personagens, mas não do da tal juíza. A verdade é que também nunca tinha ouvido falar dela e, valha a verdade, ainda bem. Pode ser que nunca oiça.

2 comentários:

  1. Algumas pessoas ficam muito indignadas com a forma, pouco respeitosa, como a juíza tratou a "mediática Bárbara Guimarães, mas, talvez por falta de informação minha, não vejo ninguém incomodar-se com situações análogas, quando os intervenientes, que estão em iguais situações, são operárias ou operários ou pessoas são visibilidade pública. É o mundo que condenamos, mas, por inacção ou conformismo, acabamos sempre por nos inserir, o mais comodamente que nos for possível.

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    1. Caro Amigo Tapadinhas,
      Aceito e reforço a sua tese. Não pense, todavia, que não me indigno da mesma forma nas condições que refere, que, aliás, já testemunhei algumas vezes. Mas o meu ponto não era esse. Quis chamar a atenção para a falta de isenção e para o preconceito com que muitos juízes tratam amiúde quem tem o “azar” de lhes cair no caminho, acabando por dar razão a quem pensa que há “justiças” diferentes, consoante as naturezas, as posses e os poderes dos acusados. Suspeito mesmo que, nos cursos preparatórios para a função, terão lá uma cadeirita que os leva a acharem natural tratar os outros de cima de uma superioridade absoluta, infalível e inimputável, borrifando-se para tudo o mais.
      Receba um abraço.

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