sábado, 17 de junho de 2017

CRISTIANO E OS SEUS MILHÕES



Decidi também meter a minha colherada na estória do Cristiano Ronaldo (CR) e dos seus muitos milhões. Mas declaro desde já três coisas: primeiro, nem sequer abordo a alegada fuga ao fisco, não o condeno, mas também não o elogio muito.
Há dias, vi parte de um documentário aí num canal televisivo, (já não me lembro qual, para o caso não interessa nada) ele a brincar com o filho. Depois foram à garagem onde estava uma data de carros, e o CR disse ao rapazinho que faltava um, se ele sabia qual era. O miúdo lá os foi mencionando pelo nome da marca, até que acertou, e perguntou ao pai porque é que não estava ali, ao que ele respondeu que estava na oficina a reparar um problema qualquer relacionada com as rodas.
Eu já sabia que o nosso famosíssimo compatriota, tem uma autêntica frota automóvel e, como devem saber ou imaginar, não é de utilitários Fiat, Opel ou Renault. São topos de gama de muitos milhares. Portanto, qualquer pessoa minimamente sensível e com sentido de justiça, perante tal quadro, neste mundo, onde milhões morrem literalmente de fome ou de doenças evitáveis, fica agoniado. E aquele, é apenas um dos seus muitos sinais exteriores de riqueza. E agora deve ser condenado por isso?
O futebol, é uma modalidade desportiva muito apreciada. O desporto rei. Por isso, é aproveitado até à exaustão. Dá milhões, muito protagonismo, e ainda por cima faz um jeitão à gente do dinheiro e do poder, aos mentores e beneficiários do capitalismo. Aliena as massas populares, entretem-nas, preserva o sistema(capitalista) . Portanto, sendo o CR o, ou um dos melhores profissionais do ramo… Mas, volto a dizer, vamos condená-lo por isso? O que devemos sim, os que se preocupam com as injustiças, é condenar e combater o sistema que tal permite.
Quanto aos elogios, é de fazê-lo em relação ao seu profissionalismo. Também há quem o faça sobre o seu pendor caritativo. Mas isso é discutível porque também reverte a seu favor. Finalmente, elogiava-o muito, se o visse, pelo menos, criticar o sistema que tais obscenidades fomenta.
Francisco Ramalho

Corroios, 17 de Junho de 2017

2 comentários:

  1. O meu Amigo, como de costume, põe o dedo na ferida, e isso é ir contra a corrente do jogo colectivo. O pessoal, duma maneira geral, não aprofunda esta estranha forma de vida porque perdeu os valores da fraternidade e da igualdade e quanto à liberdade, felizmente ainda, essa é à vontade do freguês. Criar uma criança sem mãe, já é coisa só para milionário excêntrico, mas criar à volta da criança um ambiente de opulência imemorável ultrapassa o razoável. Este Cristiano, como dizem os sociólogos, é um caso de estudo. O abraço universal do costume.

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