quinta-feira, 31 de março de 2016

A nossa condição humana


   Ai!, se não fossem as/ Palavras.../ Qu’era de mim sem elas./ Ponho as/ Palavras/ no altar do coração,/ na defesa do desvalido/ do sem-abrigo/ também vítima de má acção.../
Na Invicta, minha amada/ depois da participação no Encontro dos Leitores Escritores,/ na UNICEPE, deambulei junto à Trindade p’la estrada/ vi e conversei com dois sem-amores/
e sem tecto, perturbados/ e cunhados/ p’lo torno e p’la eira/ sem beira./ Pés rapados,/ c’os andarilhos encostados/ ao asfalto frio de pés descalcetados/ – O senhor que faz?, é doutor?, perguntou o primeiro/
- Eu sei, é varredor!, gracejou o derradeiro./ Respondi: ‘Nós somos/ o que fazemos,/ o que não se faz não existe. Portanto só existimos/ nos dias em que fazemos’. Disse o luminoso Padre António Vieira.
A caminho da Ribeira/p’las vielas, / velhas/ e relhas/ prometeram-me tarde de diversão/ e já com a mão/ puxaram-me p’ró lancil da co-habitação./ Pássaros primaveris tocavam/ em gaiolas enferrujadas/
por cima das/ escadas/escuras e olhando-nos, gargalhavam./ Despedi-me: Divirtam a Vida/ qu’é Querida!/ –Olha queria letra!, responderam as bisavós escancarando bocas enrugadas/ com dentaduras
perfuradas.
A minha Querida cidade do Porto/ é um bom abrigo porto!

               Vítor Colaço Santos – tlm:919976299
               Estr. Principal, 34 – Areias
              2705-432 S. JOÃO DAS LAMPAS   V/casa

Nota: este texto foi publicado no PÚBLICO de 31/3; e eu, José Amaral, prometi ao Vítor, durante o nosso 3º encontro no Porto, publicar neste nosso partilhado espaço de A VOZ DA GIRAFA o que ele me enviasse para publicação, uma vez que me confessou ser um pouco avesso às novas tecnologias, não conseguindo, por isso, entrar neste espaço que há muito lhe foi franqueado.
José Amaral

2 comentários:

  1. Um obrigado ao José Amaral por trazer de novo, ao nosso convívio, o companheiro Vitor Colaço, que muito aprecio e encontro, com frequência,noutras publicações. Um abraço para ambos.

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  2. Muito obrigado a si também pelas suas gentis palavras, Caro Amigo Joaquim Tapadinhas.

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