quarta-feira, 16 de março de 2016

O capital e os trocos


De entre muitas notícias vindas nos meios da comunicação social que gostaria de tecer breves palavras, duas retiro para dar à estampa, na óptica de alguma repulsa e indignação.
1 - Assim, todos estamos a saber que Dilma Rousseff quer dar um cargo de ministro a Lula da Silva, para que este tente ganhar algum tempo e imunidade com a Justiça, uma vez que está a ser indiciado por crimes de corrupção, um vírus pior que o zika.
Agora, lembro o que Lula terá proferido num comício em 1988: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a prisão; quando um rico rouba, vira ministro”.
2 – O presidente do CA da Jerónimo Martins, dona das lojas Pingo Doce quer ter mil lojas na Colômbia até 2020, o que representará um investimento de mais de 500 milhões de euros.
E aqui vai a pergunta sacramental: E aonde é a sede fiscal do império da Jerónimo Martins? Em Portugal não é! É na Holanda!
Resumindo: a pátria destes nacionalistas é o CAPITAL. O restante são trocos, ou meras ironias do destino e outras tropelias que estão a dar cabo do mundo.


José Amaral

4 comentários:

  1. Estou quase sempre em acordo total com as intervenções de crítica social que o meu amigo José Amaral insere neste blogue e torna públicas. Mas, às vezes, em pequenos pormenores, há diferenças, o que é natural e admito que a falha pode ser minha.Quanto ao sr. Alexandre Soares dos Santos, que é a figura mais conhecida no império das lojas Pingo Doce, quero salientar que numa recente entrevista televisiva, ele lançou a ideia de que os lucros das empresas deviam ser distribuídos também pelos trabalhadores, porque são eles os principais obreiros desse fenómeno. O que é lamentável, é que ninguém fez eco dessa ideia-proposta, nem mesmo os "amigos do povo", que estão instalados nos órgãos de comunicação social, nos sindicatos e em lugares políticos. Quanto às contribuições, não é verdade que, do movimento feito no nosso país não as pague cá. Tratando-se de uma multinacional (cujos accionistas são de países diversos) , sendo o maior volume de negócio no estrangeiro,sendo até intercontinental, é de boa administração pagar o IRC no país onde se cobra menos, neste caso a Holanda. A competição começa a ser europeia e já não nacional. Portugal, se quer que as empresas tenham aqui as sedes tem de baixar os impostos e concorrer com os demais países. Os Governos, sem dó nem piedade, sacam o que podem para que os seus membros mantenham os poleiros. Se as empresas não reagem abrem falência. E a luta continua.

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  2. Esse tal benfeitor da humanidade, o inefável Soares dos Santos, também "deitou a baixo", nessa entrevista,todas as medidas que o novo Governo tem tomado para ir repondo a dignidade roubada aos trabalhadores e pensionistas, dizen do estavam "a comprar o eleitorado"! E perguntado da razão por que não comprava carne de porco portuguesa, respondeu que era por a espanhola ser mais barata...

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  3. O bairrismo acabou. Se entrámos para a UE deixámos de ter autonomia plena e as regras são ditadas por esta espécie, Estados Desunidos da Europa (EDE). As ajudas que, no princípio, serviram para nos comprarem a autonomia, foi uma alcofa de rebuçados que enganaram os ingénuos e das quais se aproveitaram os oportunistas. Deram-nos 70% do custo de muitas auto-estradas, emprestando-nos os restantes 30%, a juros que nunca pudemos pagar. As máquinas pesadas, importadas, para aí ficaram a apodrecer e as estradas sem movimento que as justifiquem. Também nos apoiam, com percentagens razoáveis, para construirmos novas linhas de caminho de ferro. A diferença para pagar os custos será concedida a crédito e as máquinas, carruagens, vagãos e tudo o mais, serão importadas a crédito, vencendo os juros do costume. Para construirmos estaleiros navais, fábricas de instrumentos pesados para consumo e importação, e de unidades para desenvolvimento industrial, para isso não há apoios, porque está decidido quais os países que podem ter essas estruturas. Na UE, somos um aliado de segunda, pois os nossos problemas não interessam aos países que na "sociedade" têm quotas maioritárias. As regras, que estão no terreno, não se alimentam de "patriotismo". Isso, infelizmente, passou de moda. A europeização está no terreno e quem não entrar no jogo arrisca-se a falir.

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  4. É verdade, senhor Tapadinhas, que já vai longe o tempo em que o galego Jerónimo Martins veio para Portugal abrir uma tasquinha onde vendia carvão, petróleo de iluminação e copos de vinho e construíu, a partir daí, um "império". Mas, mesmo assim, desconfio que o velho galego deve dar voltas na tumba aao "ver" os procedimentos dos seus sucessores nas comunidades que os enriquecem...

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