segunda-feira, 28 de março de 2016

António Guterres na ONU ?

A eventual candidatura de António Guterres, a apresentar pelo governo PS, para secretário-geral da ONU, só se concretizará com sucesso se merecer o apoio dos Estados Unidos da América (EUA).

Nas últimas duas décadas e meia, após o desmantelamento da União Soviética e por arrastamento do sistema socialista, o capitalismo liderado pelos EUA transformou a ONU num instrumento ao sabor das suas estratégias e interesses.

A ONU tem assistido quase impávida e serena, a violações sistemáticas do direito internacional, como as que desencadearam guerras de destruição no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, o desmembramento da ex-Jugoslávia e a eternização da ocupação israelita na Palestina.

O actual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da Coreia do Sul, está a cumprir o segundo mandato de cinco anos (2007-2016), após suceder a Kofi Annam, do Gana, que também fez dois mandatos (1997-2006). Todos os secretários-gerais da ONU, desde a sua constituição em Outubro de 1945, geralmente fizeram dois mandatos, sendo excepção o egípcio Butros Butros-Ghali, cuja reeleição foi bloqueada em 1996 pelos EUA, por já não se ajustar ao seu conseguido domínio da ONU.

Impressiona a ineficácia e o silêncio da ONU transmitidos pelo seu secretário-geral Ban KI-moon, perante conflitos e guerras em curso e suas dramáticas consequências, com declarações sempre na linha da opinião dos EUA.

Durante dez anos (2005-2015), António Guterres foi o Alto Comissário para os Refugiados da ONU, tendo-se verificado um crescimento exponencial do número de pessoas que procuram refúgio, fugindo da morte, da guerra, da fome e da miséria resultante de conflitos e destruição de seus países. 

As preocupações do cargo foram quase sempre centradas para a necessária ajuda humanitária e pouco para analisar as causas que dão origem ao grave e devastador problema e exigir medidas que lhe ponham termo.

A situação internacional exige um secretário-geral da ONU com convicções autênticas e sinceras para uma luta pela paz e por um mundo que respeite os direitos e soberanias dos povos, contrariando interesses instalados, nomeadamente dos EUA. 


Prevenindo um insucesso da candidatura a secretário-geral da ONU, já estará previsto para António Guterres a presidência da Fundação Gulbenkian em 2017.

3 comentários:

  1. Independentemente das suas capacidades, há um grupo de pessoas que saltam de uns cargos bem remunerados para outros, que parecem estar à sua espera. Será que o país tem tão pouca gente capaz, que têm de ser sempre os mesmos?

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