quinta-feira, 17 de março de 2016

Em Portugal - tudo se vende - tudo é vendido


Em Portugal, em que tudo se vende e tudo é vendido, qualquer dia, todos os monumentos nacionais que atestam a nossa identidade colectiva, como nação livre e independente, estarão na posse de quem tiver mais dinheiro para os obter, fazendo deles o que bem lhes aprouver, colocando nos seus frontispícios títulos bizarros e outros reclames promovendo este ou aquele produto, ou ainda inscrições atentatórias à nossa dignidade de ser português. Estamos a lembrarmo-nos do vocábulo “Allgarve”.
Assim, há dias, no JN, soubemos que o vetusto Mosteiro de Leça do Bailio, situado nas terras sagradas de Gonçalo Mendes da Maia – o Lidador -, vai ser ou foi já vendido para nele se mercadejar, bem como o terreno verdejante adjacente ao mosteiro vir a ser transformado em campos de golfe.
Hoje, em primeira página e no mesmo jornal diário, a Torre da Alfândega de Guimarães, fachada ancestral e emblemática que simboliza a fundação da nacionalidade na Cidade-Berço, que ostenta a inscrição – AQUI NASCEU PORTUGAL -, vai passar de dono por 190 mil euros.
Aos poucos, os vendilhões do templo, não terão nada para passar a patacos, e Portugal passará a ser um local descaracterizado, vilipendiado, ridicularizado, à mercê de chacota a nível mundial.


José Amaral

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