terça-feira, 22 de março de 2016

POR MIM, PRESCINDO!



Nascido no pós-guerra (II Guerra, claro), vivi os anos da "Guerra Fria", e também o terrorismo da ETA e do IRA. Nenhum dos acontecimentos, designadamente o terrorismo político, chegou ao ponto a que agora chegámos com o terrorismo islâmico. Antes os alvos eram militares ou paramilitares e as vítimas civis, apenas laterais. Hoje, ao contrário, os terroristas que matam em nome de Alá, procuram cobardemente apenas as vítimas civis, e nestas sem proteger velhos ou crianças. É a matança a esmo, quantas mais vítimas melhor para o seu Alá, segundo parece. Ou nos pomos de joelhos perante o seu Alá, ou como infiéis merecemos todos a morte imediata. Ora esta situação não pode permanecer muito tempo, sem consequências gravíssimas para as economias mundiais, e logo para o empobrecimento dos povos, sobretudo os mais carenciados. Os regimes de cariz totalitário, passarão a ser os mais procurados por turistas e viajantes e depois pelos investidores. É uma luta terrível entre quem luta com armas desiguais. Do nosso lado, uma sociedade organizada segundo o primado da Lei, e das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos. Do outro, milhares de fanáticos muito organizados, dotados de incontáveis meios financeiros e militares, que recorrem inclusive ao suicídio, para explodirem e assassinarem múltiplas vítimas. Em guerra, não se podem limpar armas, e nós estamos a caminho do caos com os recentes acontecimentos pelo mundo fora, designadamente em Paris e Bruxelas, o coração da Europa civilizada. Organizem-se de imediato serviços adequados de informações, com agentes infiltrados e legisle-se para esta situação extraordinária, que requer medidas também extraordinárias. Por mim, para prevenir e combater este terrorismo sanguinário e fanático, prescindo desde já dos meus direitos e garantias legais. Prefiro isso a ter de viver numa cave qualquer encurralado, à espera que me abatam ou façam explodir.
OBS. Este artigo foi publicado no jornal Público, na sua edição de 27/3/16.

2 comentários:

  1. Alguém, daqueles que têm coisas realmente importantes para dizer, disse um dia que quem se dispõe a prescindir da liberdade em troca de segurança, não merece uma nem outra!

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  2. Sabe, sr. Górgias, se eu respeito as suas opções pessoais, agradeço que respeite as minhas, sem me insultar ou apoucar, com a sua alegada superioridade intelectual. E agradeço-lhe ainda outra coisa, que ignore os meus escritos, que eu farei a mesma coisa com os seus. Passe bem, e tenha uma Páscoa feliz.

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