domingo, 20 de março de 2016

OBRIGADO, JERÓNIMO!




Sempre louvei Cunhal pela sua frontalidade no que tocava aos seus adversários, que tal como Salazar sempre fez numa ditadura, os considerava e tratava como inimigos. Jerónimo, fia mais fino, tem o que o vulgo chama um "mamar doce". Relembra ditos populares, sorri muito, dança em público, é educado e civilizado. Mas há situações em que o seu sincero e idolatrado ideal comunista é mais forte que tudo. Cunhal nunca acreditou na democracia representativa, que apelidava de burguesa e disso deu abertamente conta numa famosa entrevista a Oriana Falacci, em 1975. Na altura a URSS ainda era um "Sol na Terra". Agora depois da "implosão" do sistema comunista soviético, o PCP não teve alternativa melhor do que fazer de conta que acredita nos votos do povo, na odiada democracia burguesa. Mas ele há momentos em que lhes salta a tampa, e a eleição de Marcelo com 52% dos votos expressos, não é coisa de somenos. Por isso resolveram não saudar o novo Presidente, como deputados eleitos na própria Assembleia que dizem representar. Só lhes ficou mal, como se fossem mal educados, mas eu sei que não foi falta de educação, mas sim política pura. Fiquei muito grato por isso, lembraram-me do golpe que falharam em Nov/75, e ainda bem que não são comunistas envergonhados, como o BE aqui ou o Podemos em Espanha, que têm vergonha de o assumir.
OBS. Este artigo foi publicado no jornal na sua edição de 18/3/16.

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