quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CGD fragiliza o governo todo, não só o ministro!



O "folhetim" da CGD e das razões objectivas da saída da Administração nomeada por este governo, ainda não acabou. O comunicado do PR, depois de ter recebido o ministro das Finanças a pedido do PM, foi entendido pela generalidade dos comentadores como que fragilizando o ministro. Ora eu penso que fragiliza muito mais o PM. Primeiro, porque este perdeu um valioso capital de apoio e simpatia que vinha usufruindo junto do PR. Segundo, porque um governo forte não pode ficar refém de um ministro, seja ele qual fôr. Ora ficou agora claro, descodificando o muito hábil e inteligente comunicado do PR, que o ministro só não sai, apenas pelo "estrito interesse nacional, em termos de estabilidade financeira" (fim de citação). O Ministro fica assim não diminuído, mas reforçado, quase como se fosse um Super-Homem, por obra conjunta do PM e do PR. Muito grave deve estar a situação financeira do País, para se ter mantido um ministro que deveria noutras circunstâncias ter saído. E muito fraco fica o governo, especialmente o PM, quando não pode prescindir de um homem, e substituí-lo por outro. Temos de passar a rezar diariamente pela saúde do Doutor Centeno, pois se ele por azar adoece, a República acaba. Diga-se ainda que este fez muito bem em explicar ao País o "eventual erro de percepção mútuo", contrariando a porta-voz do BE, que num vero assomo totalitário, o criticou por (democraticamente, diga-se) o ter feito. 

OBS: este artigo foi publicado no jornal Público, na sua edição de 20/1/17

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