Um grande artista da palavra...

Sentia-se o moço brutificado pela desgraça: tem ela de seu o
fatal condão de deslapidar o brilho das ideias, enredando-as, escurecendo-as,
falsificando-as; há uma como névoa que empana os objectos ou os desfigura; o
infeliz vê sempre errado; ora crê e confia-se em tudo que ao comum dos homens é
desprezível; ora esquiva-se a tomar pelos caminhos direitos do bem-estar, que
eventualmente se lhe ofereçem.
Pode ser que uma linguagem enérgica lhe valesse uma
transformação de vida; mas o susto, o quase pavor com que fala aos grandes, e a
humildade lagrimosa com que intenta comovê-los, é ainda um sestro mau da sua
desgraça. E em tudo assim, em tudo. Até no amor, que devia estar forro das
cadeias com que a desfortuna peia e trava as demais faculdades. É ao pé da
mulher amada, amada sem confiança nem expansão, é aí que mais a olhos
observadores se manifesta o infeliz”.
Transcrito do livro anexo por
Amândio G. Martins
Sem comentários:
Enviar um comentário
Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças. Não diga aos outros o que não gostaria que lhe dissessem. Faça comentários construtivos e merecedores de publicação. E não se esconda atrás do anonimato. Obrigado.
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.