segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A MULTIDÃO NAS PRAIAS

Se eu fosse um desses escritores ou poetas que ganham prémios ou vão às conferências...não sou. Fiz asneiras. Desalinhei. Desejo ardentemente as gajas. Agora até quase nem cravo. Como Bukowski, acho que o terrível não é a morte, "mas a vida que se leva ou não se leva até morrermos. As pessoas não honram as próprias vidas, mijam-lhes em cima". Estão demasiado concentradas no dinheiro e na família. "Engolem Deus sem pensar, engolem a pátria sem pensar". Deixam que os outros pensem por si, têm "os cérebros entupidos de algodão".
Sim, eu deixei-me disso. Ainda agora olho as multidões na praia da Póvoa. As pessoas juntam-se em manada. Não têm pensamento próprio. Não têm vontade própria. Teriam de ser únicas, solitárias, como Stirner, como Nietzsche. Em vez disso, disputam os lugares no metro e na vida. No resto do tempo, passam a vida a pastar, a ver passar navios. Não se elevam, não evoluem. E depois tu só podes ter estas conversas com algumas pessoas. Os detentores do poder estão ocupados a manter o poder mas, na verdade, só uma ínfima parte deles leu Marcuse, Chomsky ou Guy Debord. Têm os seus propagandistas, os seus psiquiatras, os seus sociólogos, esses conhecem, mas quem me garante que também não passam de um bando de frustrados. A seguir tens os escravos, os tais que trabalham e pastam, com quem é impossível manter uma conversa elevada. Daí que, neste momento, contes com com poucos revolucionários e equiparados.

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