segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O JN dos santos e pecadores

Ando bastante apreensivo. O JN decidiu banir-me do"Espaço do Leitor", e não só a mim de acordo com as queixas que me chegam, e não sei como resolver este problema, ou como se diz na gíria corriqueira, como dar a volta ao texto. De tempos a tempos, o Jornal de Notícias ensaia engrandecer as vendas, aumentar o número de leitores, mas sobretudo o de não cair no ranking dos diários de maior expansão, a fim de garantir salários e custos vários apesar dos subsídios que lhe entram na tesouraria oriundos dos contribuintes, quer o leiam quer nem pelos olhos ele lhe passe, E para isso, pensa em colocá-lo nas bancas acompanhado de qualquer coisa ou brinde. Se agora é uma carteira de cromos, logo vem umas de sementes para vaso ou estufa, e agora temos uma dúzia de Santos, milagreiros para uns, coisa curiosa para outros. Quer isto demonstrar que a apreensão que eu trago comigo, não é a mesma que tem o JN e quem o dirige, e o submete a um tipo de marketing. Método que desde há muito não se tem revelado positivo. O jornal diário, está no mercado com uma tiragem a menos de metade que um da concorrência, quando já esteve no auge a nível nacional. Então de onde vem a minha apreensão? eu faço o que sempre fiz, que é escrever umas "cartas de leitor" numa de intervenção, e no respeito pelo que penso sobre o mundo que nos enreda e consome, enviá-las à Direcção que se compromete ou não a publicá-las se estiver de acordo com o assunto nelas exposto e da sua relevância ou pertinência. Mas pelos resultados colhidos, parece-me que não sou ouvido (o que é natural), e muito menos achado. Tudo indica que as minhas "cartas" que levam por dentro palavras sérias, e às vezes queixumes, denúncias, opiniões que julgo pertinazes e credíveis, não são bem recebidas, últimamente. A qualidade da minha escrita não tem melhorado, mas também não tem piorado. O estilo mantém-se, e o carácter do autor afirma-se sempre em cada uma delas. Não sei o que é que mudou. Desconfio mas não digo, só para manter a intriga, que é coisa que fica bem numa trama policial, cheio de crime e mistério, como só Raymond Chandler, Conan-Doyle, Ian Fleming, Mickey Spillane, ou Ellery Queen e outros tão capazes o foram e são. O meu estilo é mais, o do "recado à porteira", que faz chegar a carta à redacção. Pior que qualquer A.Varatojo. Intervir sim, mas sem pretensiosismo.
No entanto, e a fim de resolver o meu dilema e afastamento do "espaço do leitor", pensei em pedir a benção e os favores de alguns dos santos que o JN agora junta à venda do jornal, para que esses intercedam a meu favor, e eu volte a cair nas graças dos decisores e responsáveis pela minha eliminação de intervenção no jornal, como já me habituara, e que outros leitores seguiam com agrado, segundo as suas confissões. E os meus santos favoritos são, o s.Francisco de Assis, o s. Judas Tadeu, e o s. Jorge - este principalmente porque mata dragões como quem mata melgas e baratas. Já acendi umas quantas velas, recorri a pai de santo, e agora resta por-me em guarda e esperar que ordens superiores do JN, desbloqueiem a minha interdição de intervenção, como antigamente acontecia. Se assim se der tal intercepção, eu considerá-la-ei milagre de santo, que tem altar edificado, em s. Cristóvão.



1 comentário:

  1. Este texto do Joaquim Moura dá que pensar... Os chamados "leitores-escritores" já se reuniram informalmente 3 ou 4 vezes mas , como corpo inorgânico que é, pouco ou nada tem a dizer. Já ouvi de tudo um pouco, até ( inclusive eu, claro)) mudança de posição relativamente à relação dos leitores com os jornais. Se calhar tem de ser mesmo assim, não sei. Estamos a "empolar problemas? "Cada um por si"? Os "cortes" são pensados? Há vaidades em nós mesmos? Etc.etc.... Aqui fica algo do que me baila na cabeça.

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