segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


Anormalidades “normais”!...


Há umas dezenas de anos, vivia eu nos arredores de Santo Tirso, deu-se na vizinhança um acontecimento nunca antes visto por ali, que dividiu as pessoas entre as que apoiavam a moça e aquelas que lhe chamavam coisas pouco simpáticas porque, na véspera do casamento, dirigiu-se aos convidados da parte dela, devolveu os presentes recebidos e disse-lhes que não iria haver casamento.

Era uma jovem operária fabril, apenas com a instrução básica, e o rapaz com quem havia tido um namoro problemático era da mesma condição, mas muito controlador, discutindo com ela por tudo e nada até que, talvez considerando que já estava no papo, com o casamento marcado, deu-lhe a primeira bofetada, que foi a gota de água para que ela percebesse que não iam ser felizes, decidindo saír enquanto era tempo.

No JN de sábado, com o título “O que o amor não é”, Inês Cardoso começa o seu texto na coluna da direcção dizendo que dois em cada três jovens de 15 anos consideram normal a violência no namoro; no mesmo jornal de domingo, com o título “Violência no namoro”, Valter Hugo Mãe  diz que “Não basta que o Estado lance campanhas de sensibilização para esta desgraça. É preciso que nos mobilizemos em todos os gestos, em todas as conversas, para mudar os discursos embrutecidos que convencem que a cidadania hoje  é ressabiamento e retaliação.

Em artigo de página inteira, no mesmo jornal de domingo, a humorista Joana Marques, com o título “Carta de São Valentim” ,  “transcreve” no seu estilo divertido a carta que um desses machistas dirige à namorada, de que deixo aqui um popuco:(...)“Temo-nos um ao outro, é o que importa, e vamos passar um São Valentim como tu mereces, minha princesa. Passo à tua porta para te buscar às sete.Vê se te despachas, desta vez; ah, e vê se não trazes aquele vestido prateado, demasiado curto, que já da outra vez deu chatice. Lembras-te do que aconteceu no teu dia de anos, porque aquele gajo armado em pintas não parava de olhar para ti? Não me apetece nada andar à porrada hoje”...


Amândio G. Martins

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