terça-feira, 25 de julho de 2017

Palmas ao Dr. Bagão Félix

O artigo de Bagão Félix - "A solidão da economia" - no PÚBLICO de hoje, trouxe-me aqui. Se há coisa que nele ( no caso, homem e artigo) aprecio é a inteligência associada à cultura. Habitualmente com uma pitada de auto-ironia e sempre com discurso densificado, erudito mas sem "floreados" bacocos e/ou sem "chavões" pseudo-irónicos.
Desta vez, foi  quase uma releitura já que, há dois ou três anos, na Ordem dos Médicos do Porto, e após uma excelente palestra por parte dele, mantivemos um diálogo sobre se a Economia é ou não uma ciência, no qual ele me respondeu, quase "ipsis verbis", com o que escreveu hoje no jornal.
Dizia-lhe eu que, sendo pediatra, não compreendia como hoje só se fala de "crescimento" e não de "desenvolvimento", já que, na minha ciência, distinguíamos muito bem um do outro. Para mim, o primeiro é paramétrico e exprime-se objectivamente ( exs: o perímetro craniano cresceu x centímetros, ou o peso diminuiu x gramas) enquanto o segundo é funcional ( exs: caminhou aos dois anos ou opôs o polegar aos nove meses). E a "confusão" faz-me "espécie" porque leva, "num mundo finito o crescer infinitamente", a uma uma formatação errada do pensamento social de (quase) todos nós. Logo recebi o "troco" com cordialidade e saber por parte do ilustre economista, como já disse. Tudo terminou "com palmas" que terão sido todas para o homem que, felizmente, pensa ( e assim termina o artigo) que o "TINA" tem sempre alternativas. Ponto comum a nós os dois. O tal "primado das pessoas" (sic) que ele escreve eu só me limito a concordar.
No fundo, um "microcosmos" dum "tandem" que chegou a funcionar bastante bem politicamente. Isto antes do pensamento liberal de Adam Smith ser adulterado para "capitalismo financeiro neoliberal" rapace e este andar de braço dado com um comunismo "à moda chinesa" ou "oligárquica russa". Onde medram todo o tipo de "estranhezas".

Fernando Cardoso Rodrigues

6 comentários:

  1. Como "num mundo finito crescer infinitamente" é matemáticamente impossível, rebentam ciclicamente as crises, onde são sempre os mesmos que perdem, para recomeçar tudo da mesma forma errada. Dizia o escritor americano Kurt Vonnegut que por isso mesmo o sistema imunológico da Terra está a querer livrar-se de nós...

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    1. Não conhecia esta frase do "sistema imunológico" mas é isso mesmo! Muito bem visto.

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  2. Bagão Félix, pode ser inteligente, culto, etc... Mas mais do que palavras, o que define uma pessoa são os actos... Foi através de Bagão Félix, ministro do Trabalho, que o governo PSD/CDS em 2003, fez a vontade ao grande patronato com o código do trabalho, o maior atentado aos direitos laborais após o 25 de Abril de 1974.

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    1. Obrigado por me lembrar uma faceta "má" dum homem que respeito embora não lhe perfilhe as ideias políticas.

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    2. É mesmo isso, uma faceta “má”. Aliás, podem-se-lhe apontar outras coisas “más”, como um certo pensamento (vontade?) de financeirização privada da Segurança Social, matéria sobre a qual, de resto, não sei como ele pensa na actualidade. Mas Bagão Félix é um respeitável democrata-cristão assumidíssimo que, a par de outros como Adriano Moreira, não esqueceu os princípios, nem nunca se deixou levar pelos cantos das sereias inspiradas nos Hayek’s e Friedman’s deste mundo, os tais que só queriam o “bem” da Humanidade. O problema foi que, de caminho, inventaram a categoria dos “sub-humanos”, aonde nos encurralaram quase todos, que, assim, não caberíamos na Humanidade. Isso, só para “eles”.

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    3. Outro obrigado. O primeiro foi para o Ernesto Silva e este para si, José. O meu respeito por BF tem a ver por aquela parte do meio do seu comentário.

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