segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma estória linda de se ler

O escritor e jornalista Rui Cardoso Martins mantém no JN uma coluna dominical muito interessante, que consiste em relatar ao seu estilo aquilo que presencia em julgamentos os mais diversos.
No texto do último domingo -  23.07 -  o réu, de nome Carlos, perguntado pela juíza o que fazia na vida, respondeu “polivalente”.
-         Isso é o quê? Desde astronauta a juíz, procurador?
-         Pedreiro, canalizador, tectos falsos, isso.
Este Carlos, que casou com uma cigana linda de cortar a respiração, era acusado por ela de violência doméstica e ele confirma que, quando ela lhe atirou à cara que o traía há nove anos, lhe deu umas chapadas nas costas com um bocado de força.
Mas a parte mais surpreendente deste episódio surge com o depoimento dos pais da “traidora”, sogros de Carlos.
-Vou ser sincera – diz a mãe -  porque tenho de pedir desculpa ao meu genro. Uma mãe e um pai sempre encobrem o que um filho ou filha fazem, mas eu descobri que ela andava com outro rapaz e disse-lhe: “O teu marido é muito bom para ti, trata bem os filhos, andas sempre bem vestida e arranjada, pára com isso”. Mas a vida do cigano está muito moderna e tenho outra filha que já foi casada duas vezes…
Entra o pai da rapariga e diz que nunca viu o genro Carlos ser mau com a filha e os netos, afirmando que a filha os enganou a todos. Este julgamento fez-se sem a presença da queixosa e o Carlos foi absolvido.
E eu aprendi mais um bocadinho com o carácter destes pais ciganos, que não hesitaram em defender em tribunal o genro, não cigano, contra a própria filha cujo comportamento eles também condenaram…

Amândio G. Martins


3 comentários:

  1. O meu Amigo meteu-se num caminho complicado e politicamente incorrecto, ao trazer à liça um casal de ciganos com carácter que põe a verdade cima das conveniências familiares. Dou-lhe os parabéns pela sua lealdade aos valores e pela oportunidade.

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  2. Sei que há na etnia em apreço gente honrada; mas todos sabemos que não é essa a regra, e os casos nada edificantes são para lá de muitos, só que na "nossa" gente também não há muito melhor...

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  3. Se aprofundarmos, entre outra população, as regras não serão muito diferentes, pelo que não é correcto pormo-nos em bicos de pés. Temos um ditado antigo, que é nosso, que diz que "a ocasião faz o ladrão". Em todo o lado há bom e mau e é incorrecto generalizar. Um abraço e continue na luta por um mundo melhor.

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