quarta-feira, 26 de julho de 2017

Portugal em chamas

No campo e na política, Portugal arde a todo vapor. E o povo rural, o que ainda resta, é visto através das pantalhas televisivas tal como formigas tontas fugindo da morte certa, a qual, armada de tridente ardente, tudo lambe e devora em labaredas criminosas, as quais, todos os anos, renascem das cinzas.
Depois, os arautos da desgraça dizem-nos que tudo se deve à sempre falta de prevenção, enquanto outros afirmam que escasseiam os meios que evitem tais tragédias.
Todavia, todos os anos Portugal arde aos poucos e inexoravelmente caminhará para o seu fim, pois a culpa não é essencialmente do calor excessivo, nem dos ventos fortes, nem da falta de limpeza dos matos, mas, outrossim da mão criminosa dos luciferes que campeiam a monte, semeando a dor e o luto, sem que alguém os castigue tão duramente, como eles fazem impunemente a este ardido país em chamas, a caminho das cinzas da nossa desgraça colectiva, sem eira nem beira, onde as posses cada vez são mais escassas.

José Amaral

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