segunda-feira, 31 de julho de 2017

O PCP E A VENEZUELA DE MADURO


Quem não era ainda adulto no período negro e totalitário de Portugal, de Março a 25 de Novembro de 1975, poderia ser agora levado pelas falinhas mansas do "camarada" Jerónimo. Como o 25 de Novembro falhou para o PCP, a estratégia tem sido jogar o jogo democrático, estando sempre onde a chamada "correlação de forças" manda estar. Mas ninguém tenha ilusões, se um dia o PCP chegar ao poder, e isso pode perfeitamente acontecer com o seu agora aliado António Costa, nunca mais de lá sai, como se viu na URSS, em Cuba, na Coreia do Norte, na China, e agora na Venezuela de Maduro. Lá por serem ditaduras de "esquerda", não são menos totalitárias e cruéis que as de direita. É por isso uma vergonha, e certamente uma confissão totalitária, a posição do PCP perante o golpe de estado de Maduro. Este quer substituir uma Assembleia Legislativa democraticamente eleita ainda no passado ano, por uma Assembleia fantoche, que aparece depois de uma enorme "chapelada", que o nosso PCP criticava nas "eleições" de Salazar, mas que com Maduro as acha "democráticas". Dois pesos e duas medidas, assim vai o PCP e boa parte da esquerda portuguesa, que só consegue ver argueiros nos olhos da direita. Oxalá a resistência heróica e democrática do povo Venezuelano consiga repôr a legalidade. Sobre a posição política do governo, de não querer afrontar desnecessariamente Maduro, é sensata, pois o vingativo ditador poderia prejudicar a extensa comunidade dos nossos compatriotas.

9 comentários:

  1. Ditadura é sempre uma ditadura, venha de que lado vier! Visitei Auschwitz, atravessei o muro de Berlim, vivi no Portugal "salazarento" E estou a ver "Um Amor em Berlim" na RTP2 ( já sei que é ficção, mas também é História). E acredito na democracia com instituições de contrapeso. Detestei Hitler e Estaline, com a mesma força! Mas também detesto Trump, Erdogan, Putin, Orban, Maduro...etecetera. E gosto de... Fernando Savater e David Mourão Ferreira!...

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    1. Falou em tantos nomes que a coisa ficou confusa. Trump, por muito mau carácter que possa ser (e incompetente políticamente também), será igual a Stalin e Hitler? E viver na Venezuela hoje, igual a viver nos EUA? Trump pelos seus próprios erros, está sequestrado (e bem, tem de dizer-se) pelo Congresso. Porque os EUA são uma democracia, com os tais "checks and balances". Ou não será verdade? Eu da minha parte, ainda poderia tolerar melhor os ditadores competentes e que se assumem como tal (Putin, por exemplo), do que meliantes como Maduro, que enchem a boca com democracia e são ditadores sanguinários.

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    2. Para mim o que é mau é mau mesmo. Quanto a Trump, não o confundo com os EUA mas também julguei que Erdogan era outro homem e olhe, foi o que se viu! O "mal" (Orban não faz parte da UE?...) vai muito para além daquilo que e"clássico" chamar de ditadura. A "ditadura competente" é coisa que não existe pois a ética democrática deve anteceder tudo na sociedade e na política. E aproveito para dizer de quem também gostei e gosto muito: Willy Brandt e Olof Palme.

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    3. Disse "ditadura competente", mas é óbvio que nunca gostei de ditaduras. Mas como tudo é relativo, como defendeu o cientista, uma ditadura com um ditador competente e sério, sempre será melhor do que um incompetente e corrupto, ou não será?

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    4. Toda a discussão tem um fim mas, por imperativo de pensamento, volto porque acho que, no que respeita a ditaduras, não existe o "tudo é relativo". As ditaduras em si mesmas não têm homens "sérios" e são corrupção em si mesmas. Todas.

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  2. Pois, sr. FR, tomei nota, para memória futura. Salazar para si foi um corrupto. Boa mesmo, para além do PCP, que nunca se atreveu a tanto. Tentou liquidá-lo, mas corrupto nunca lhe chamou. Santa tarde

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    1. Como vai servir "para memória futura", aqui fica para lhe juntar: corrupção não é só quando mete coisas materiais, pois há pensamento (e acção) que ainda o é mais e o "Botas" corrompeu o cerne de um país. Corruptor activo como se diz agora. Boa tarde para si também.

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    2. Já vi, de experiência feita, que o Sr. FR nunca aceita deixar de ter a última palavra. mas isso não significa, no caso vertente, que eu considere que tem razão, ou ainda menos que me tenha conseguido convencer. Boa Noite.

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  3. OBS. Publicado (na íntegra) no jornal PÚBLICO na sua edição de 2 de Agosto.

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