segunda-feira, 18 de abril de 2016

É preciso olhá-los nos olhos

Não devia ser preciso. Mas quem passa por essa experiência, fitar de perto os refugiados que se amontoam na Grécia e outros países, se tiver algo mais do que músculos no coração, há-de fatalmente compreender o sofrimento a que aquelas pessoas, iguaizinhas a nós, foram sujeitas. Como nós próprios, aliás, caso ventos revoltos se levantem em desbragadas fúrias, o que não seria a primeira vez nesta “civilizada” Europa. Na visita que o Papa fez a um campo de refugiados em Lesbos, devidamente acompanhado pelo líder espiritual das Igrejas ortodoxas, patriarca de Constantinopla (Istambul, curiosamente!), e do mais alto dignitário da Igreja Grega, também ortodoxa, ouviu-se Bartolomeu I vincar a necessidade de olhar nos olhos esta gente, acrescentando que o mundo vai ser julgado pela maneira como a tratou. Disto, não tenho tanta certeza, porque o mundo anda demasiadamente ocupado com paraísos fiscais e acordos de deportação com a Turquia, além de se ir divertindo a construir muros…

Post Scriptum – Em Dezembro passado, tive a oportunidade (feliz por um lado, infeliz pelos outros lados todos) de estar à porta do campo de refugiados de Eleonas, em Atenas. No mesmo dia, à noite, deambulei pelo meio de algumas centenas de refugiados que se preparavam para dormir, entre os canteiros e árvores da Praça Victoria, em Atenas, outro campo, este “selvagem” e sem quaisquer condições de habitabilidade. À sua volta, a vida dos restaurantes e dos transeuntes continuava, em perfeita tranquilidade. Vi jovens e crianças, alguns jogando à bola como hoje fazem os meus netos. Por essa altura, visitei o escritório de uma organização totalmente dedicada ao problema dos refugiados, a Desmos (pode-se aceder ao seu site em www.desmos.org). Ganhei e cresci. 

1 comentário:

  1. Como se não bastasse a desgraça que lhes caíu em cima, esta flagelada gente vê-se forçada a tentar sobreviver num mundo onde abundam os porcos, logo um animal de que foram educados a não gostar...

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