terça-feira, 19 de abril de 2016

PATIFARIA

                                                       A GRANDE  GOLPADA

Tive um colega de trabalho, pessoa aliás muito divertida, que quando se comentava algum mau acontecimento, em localidade cá dentro ou em país distante, relativizava sempre com a mesma frase “nonsense”: “que se lixe, não sou de lá nem tenho lá parentes”…
Mas estamos todos tão próximos uns dos outros hoje que qualquer catástrofe, natural ou provocada, nos afecta de alguma maneira. E o que se tem verificado no Brasil é, por maioria de razão, demasiado grave para não nos atingir também.
De facto, um bando de patifes, liderado por um sujeito completamente desprovido de escrúpulos, ele também com acusações pendentes de crimes económicos, aprova a destituição da presidente, certamente na mira de, com a bagunça criada, assim ganharem “indulgências” para escapar impunes.
Vi e ouvi a lengalenga de alguns daqueles deputados, antes de anunciarem  o sentido do voto, e fiquei esclarecido quanto à honorabilidade das suas motivações. Aliás, uma “beócia” que aproveitou o momento para enaltecer a honestidade do marido, algures nas funções de prefeito, segundo percebi, viu de seguida a polícia bater-lhe à porta e levá-lo preso!
Embora sem dons de pitonisa, receio bem que, com este tipo de gente, dias muito negros esperem o povo brasileiro.


                                                     Amândio G. Martins

4 comentários:

  1. Pode ser um erro histórico, mas 72% dos deputados, representantes eleitos pelo povo, pronunciaram-se pelo avanço do processo de destituição da "presidenta". São regras democráticas e é a democracia a funcionar em conformidade com a constituição. O povo engana-se muitas vezes, porque o erro é humano.

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  2. Não tenho tido tempo nem grande disposição para escrever. O amigo Amândio tem razão. Não sou advogado de defesa de ninguém e situo-me à esquerda de Dilma e de Lula. Mas, os que se preparam para obacar o poder naquele gigante, são mil vezes piores que os líderes do PT brasileiro. Se o conseguirem, é muito mau para aquele povo. E, por reflexo, para toda a América Latina e para o mundo.

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  3. A costumada boa vontade e o inultrapassável espírito de concórdia do amigo Tapadinhas impelem-no a ver regras democráticas e democracia constitucional a funcionar naquela fantochada brasileira. Para mim, cristalino é que (i) não se acusou Dilma de qualquer crime que seja condição sine qua non para a destituição, que (ii) houve quem (Cunha) necessite deste barulho todo para afastar a justiça dos seus próprios crimes e (iii) quem (Temer) queira ser presidente sem votos. (Que a ninguém passe pela cabeça – também só faltava essa – comparar esta situação com a formação do actual governo português). Mais revoltante do que tudo, foram as dedicatórias feitas (por Jair Balsonaro, deputado também eleito pelo Povo, que também se engana) a alguns “democratas” como o famoso torturador da ditadura militar, o coronel Ustra. Cuspiram-lhe, é verdade, mas ele tinha acabado de vomitar em cima de todos os verdadeiros democratas brasileiros vítimas de tortura. Tem razão, amigo Amândio, não passam de um bando de patifes. Um abraço aos três amigos.

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