terça-feira, 24 de julho de 2018


“Do Acto ao Pensamento”


Quando nas encruzilhadas da vida acontece entrar-se, inadvertidamente, num beco sem saída, não é muito difícil tomar a resolução que se impõe, que é fazer o caminho de volta; mas quando é a prosápia sem sentido, o exibicionismo bacoco, a pretensa sapiência e imprescindibilidade a empurrar a criatura para zonas que não domina, o seu baixo sentido de ridículo não a defende das mais desconexas atitudes.

Transcrevo, do livro com o título acima, de Henri Wallon, que trata da evolução humana, o parágrafo que segue:

“...A partir do dia em que a actividade do homem passou a ser guiada por algo diferente dos seus automatismos ao serviço  das suas necessidades; a partir do dia em que deixou de estar limitada às constelações mais extensas e complexas que as estruturas mais ricas do seu sistema nervoso lhe permitiam realizar naquele mesmo instante, entre todos os dados úteis de uma situação actual; a partir do dia em que passou a submeter-se a ritos distintos da própria coisa; a partir do dia em que quis realizar imagens e exprimir conceitos que superavam as suas aparências sensíveis; desde então começou a grande tentativa especulativa que deveria levar a nossa espécie a tomar consciência do Universo e, ao mesmo tempo, a enriquecer indefinidamente a sua própria consciência, arrancando-a às simples alternâncias depressivas ou tónicas dos apetites e da saciedade destes, dos sofrimentos nascidos da necessidade, das impulsões nascidas do desejo e da apatia que os segue, sem iniciativa nem espontaneidade”.




Amândio G. Martins

1 comentário:

  1. Bons "conselhos" (o preâmbulo e o respigado do H.Wallon) para quem os entenda.

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