sexta-feira, 27 de julho de 2018

Vivam os clássicos


O comum dos portugueses não tem tempo suficiente para acompanhar as listagens dos livros publicados a torto e a direito. A actividade editorial é mais do que pujante, apesar das queixas de que somos um povo de iletrados. O fenómeno vem ressuscitar a controvérsia sobre se devemos “mergulhar” nas novidades ou se devemos reler os clássicos. Cada um pensará como entender, e a conclusão não deverá eliminar nenhuma das opções. O certo é que se vê por aí alguns livros desvalidos de São Francisco de Sales, o padroeiro dos escritores e jornalistas, aonde a pobreza intelectual é tanta que teremos de procurar outro santo que lhes valha, outro Francisco, mas este o de Assis e da Ordem que fundou. Os autores, alguns com nome na “praça” mediática, aproveitam-se da publicidade (gratuita?) que lhe proporciona a cumplicidade de algumas redacções, sobretudo televisivas, para venderem autênticos “chouriços” de centos de páginas, (mal) escritas, a metro. Ali se vê de tudo, truques baixos para engrossarem textos até atingirem o número de páginas pretendido, relatando episódios que a ninguém interessam, excepto ao autor, uma falsa erudição que abusa do etc., da nota explicativa incompreensível, de quilométricas transcrições de textos ou discursos alheios, de conclusões sobre factos que bem podiam ter sentido contrário, de “verdades” nitidamente forçadas, de vaidosas exibições de qualidades próprias que mais parecem falhas de carácter. Enfim, tudo a “encher”…

Não, eu volto aos clássicos, mesmo se forem releituras. Nunca serão perda de tempo como o desbaratado com essas “novidades”.

4 comentários:

  1. Tem, com certeza, razão. Eu tenho é pena de pouco conseguir reler o que já li, a não ser em consulta esporádica. Leio muito avulso e... sujeito-me a "barretes". Verdade seja que, muitas vezes, do meio não passo... Quanto aos clássicos, li alguns mas não tantos com deveria. Então o "Ulisses" nem me atrevo! Falta-me apetência e... estaleca!

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    1. Quanto aos clássicos… cada um tem os seus. Se quer que lhe diga, a minha primeira experiência com o "Ulisses", já lá vão uns quarenta anos, foi desastrosa. Pensei que por ser uma tradição brasileira. Vinte anos mais tarde, comprei uma edição portuguesa e, cheio de entusiasmo, encetei a tarefa. Não passei do meio! Decididamente, o problema seria meu… talvez não tivesse a maturidade suficiente. Deixei, pois, passar aí uma década mais. Resultado: o mesmo. Não discuto o Joyce, mas eu é que não chego lá. Mas releio, com muito prazer, o Hugo, o Eça, o Saramago, o Mário de Carvalho. Este último, por exemplo, contemporâneo, é também, para mim, um clássico. Já quanto às "novidades", recuso-me a divulgá-las. Mas elas têm autores e estes têm nomes, mas aprendi que, para eles, até a má publicidade é boa. Cruzes, canhoto!

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  2. Tradição brasileira? Está claro que devia ser tradução. Desculpem.

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  3. Dos clássicos, mesmo os mais herméticos, que exigem mais esforço de concentração, tira-se sempre proveito, mas esses que por aí agora abundam também poderão ser úteis, se servirem para despertar o gosto pela leitura mais séria.
    Mas há clássicos que me divertem imenso, como Cervantes, Eça e Boccaccio; deste ainda há pouco acabei de reler o Decameron, que é de "partir o coco"...

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