sábado, 14 de julho de 2018

Podia ser melhor…


Em tempos de avaliação do “estado da nação”, inevitavelmente se cai no estafadíssimo copo meio cheio/meio vazio. Para uns, foi sempre a encher, para outros, bebeu-se de mais. Com a geringonça romanticamente no meu coração, sou tentado a inclinar-me para o lado positivo, ainda que com resultados muito distantes dos meus anseios. Darei até razão aos que proclamam que as esquerdas colocaram ao PS fasquias demasiadamente baixas, embora, na altura, nenhum dos dialogantes imaginasse que tudo poderia vir a correr tão bem, porque, se soubessem, talvez se tivesse ganho mais alguma “coisinha”.

Do lado dos que olham para o copo a ver-lhe o fundo, compreendo que, não podendo recusar o óbvio, acabem sempre por reclamar que os êxitos actuais não seriam possíveis sem os sacrifícios anteriores, em seu entender impostos aos portugueses a contragosto e com muito sofrimento interior desses senhores que usaram a cadeira do poder até 2015. Aqui é que eu costumo perder as estribeiras, porque nunca me esquecerei de que Passos Coelho erigiu o empobrecimento do país como alto desígnio nacional, orgulhando-se do “custe o que custar” e do impante desejo de ir além da troika. Só lhe faltou dizer que, nas suas orações nocturnas, recita religiosamente os sagrados preceitos do “Consenso de Washington”. In nomine… do Capital.

3 comentários:

  1. "TINA" e "para além da troyka", e outros, são imorredoiros... E, sabe, José, uma da coisa mais "bonitas" que tenho ouvido é o CDS clamar por investimento público... Para fazerem ouvir a voz, "chutam com o pé que está mais à mão"... "Honestidade intelectual", será?...

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  2. Não. Nem honestidade, nem intelectual. Pura conveniência, metendo os pés pelas mãos.

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