quarta-feira, 18 de julho de 2018

(In)conformismo

- Há uma espécie, ou melhor, há um género de homens, que não aceitam a idade que têm, recusam assumir a velhice, e por todos os meios tentam enganarem-se e aos outros. A idade biológica é a que é, e por vezes o registo na Conservatória Civil é que não corresponde à verdade. Por vezes os progenitores não cumprem a Lei, e registam os filhos tardiamente, com data de nascimento falsificada. Dá isto em ter-se uma idade mais avançada daquela que apresenta o cartão de cidadão que nos arquivou. Também há uma idade psíquica, que é a que julgamos sentir e que não se conjuga com os anteriores registos. Encontramos assim um coisa parecida com, bem-estar. Às vezes perguntam a uns certos patuscos, já com ares de avós, que idade têm, e eles respondem, "56, quando na verdade têm 65". Outros dizem, "46, mas ao contrário". Julgam que são engraçados e que fazem piada entre os próximos, que logo riem em coro despregado só para serem amáveis. Acontece tais casos em cenas diversas, de palcos espalhados pelo mundo, e se mete mulheres a coisa piora. Um destes episódios deu-se em Turim, quando na apresentação à turba, com lentes apontadas que também registam tempo e factos, de um rapaz, aconselhado e agenciado, julgando ter êxito antes do tempo de prova, traumatizado pelo sentimento de velhice da qual teme ser já tomado, disse, entre uma matreira ingenuidade e uma operação apalhaçada, e sem que lhe perguntassem, que tinha 23 anos, corrigindo com suposta graça de quem se enganou, para 33. O salão entusiasmado, logo soltou risada, e "quase gritou - aí cristianiiim" - pois o engraçadinho dava mostras de ter estudado a lição encomendada, e fez com que os média escarrapachassem o episódio como coisa inspirada e vinda do além. Os sóbrios e avisados sabem e a mãe-natureza também, que não é assim que as coisas acontecem, mas que uma geringonça activa e afinada é capa de produzir, e fazê-la rolar até que o reumatismo tome dela conta, sem dó nem remédio! *

-*(pbcdºno "quinzº regl."IMEDIATO".20.07)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Caro(a) leitor(a), o seu comentário é sempre muito bem-vindo, desde que o faça sem recorrer a insultos e/ou a ameaças. Não diga aos outros o que não gostaria que lhe dissessem. Faça comentários construtivos e merecedores de publicação. E não se esconda atrás do anonimato. Obrigado.