domingo, 19 de março de 2017

A PODRIDÃO DO CAPITALISMO

O caso dos offshores, o caso "Marquês", o Sócrates, o Salgado, o Núncio, o Passos Coelho, o Portas, a Maria Luís, a Cristas. Tudo boa gente. Tudo gente honesta. Tudo gente que vigariza à nossa custa. Que insulta a pobreza e os que contam os trocos todos os dias. O país arde em corrupção e falcatruas.
O capitalismo é isto à escala mundial. Uns devoram-se aos outros. Mesmo entre os pequenos reinam a intriga, a competição e a inveja. As pessoas atropelam-se na corrida pelo lugar, pela carreira, pelo dinheiro. As relações são cada vez mais superficiais. Vão rareando a fraternidade, a verdadeira camaradagem. Tudo gira em torno do lucro e do sucesso. As pessoas estão doentes, deprimidas, esquizofrénicas em trabalhos, em vidas com cada vez menos sentido. A finança domina todos os discursos como se fôssemos números, percentagens, mercadorias. Como se não existisse amor, iluminação, poesia. Como se não fôssemos filhos dos céus e de Dionisos. Como se tivéssemos de andar sempre contidos, castrados, mortos. Em vez da liberdade e da libertação avançam o medo e o sentimento de culpa- que ainda vêm das religiões- e daí os terrorismos de Estado e os outros, o ascenso da extrema-direita, o medo do diferente, a mania da vigilância.
O capitalismo é também roubo. Do rico ao pobre, do explorador ao explorado. É mercearia. É compra e venda. É conversa de mercador, é ausência de vida, de sentimento, de substância. E é igualmente lavagem ao cérebro. São imagens sobre imagens e ideias que se impõem como únicas e absolutas desde a infância. A família, a escola, o trabalho e os media convencem os indivíduos de que não há alternativa à sociedade mercantil, de que esta "vida" é única e irreversível. Claro que alguns de nós, a dada altura, nos questionamos e nos rebelamos. Mas é uma luta diária, dura, quase quixotesca. Estamos em clara minoria.

1 comentário:

  1. A sua escrita é percuciente e virulenta. Mas hoje dou-lhe toda a razão quanto ao cerne do seu escrito.

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