sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pro-fi-ssio-na-lis-mo

Acompanho totalmente o que tem dito o senhor José Amaral acerca do roubo de material de guerra em Tancos. De facto, para que as coisas funcionem com um mínimo de harmonia, seja na família, na empresa, nos organismos do Estado, cada responsável tem de cumprir e fazer cumprir!
E o que se passou em Tancos é mesmo uma anedota de mau gosto; aqueles comandantes simbolizam o que há de pior no país. Se calhar estavam mais atentos ao formar da guarda para os receber à entrada no quartel, a que na messe e no bar dos oficiais não faltasse nada, do que em verificar como estava a ser feita a vigilância ao material que lhes estava confiado…
Emocionei-me quando há pouco tempo vi, na Assembleia da República, nas comemorações do “25 de Abril”, um homem de “canadianas” e aspecto muito debilitado. Chama-se Amadeu Garcia dos Santos, general de engenharia, e era o jovem capitão que chefiava o Serviço de Telecomunicações Militares a que pertenci, serviço este cujo Centro de Comando era o Batalhão de Telegrafistas, em Lisboa.
Este oficial, engenheiro de telecomunicações, era de um rigor absoluto até na forma como andava fardado; exceptuando as ocasiões em que tinha de usar “farda de gala”, no dia-a-dia andava sempre de botas grossas e a calça metida no cano, coisa que me fazia confusão, até porque podia ver qualquer subalterno e até sargentos apresentarem-se em serviço de calça fina e sapatos de passeio.
Cabia-lhe colocar e vigiar o pessoal que os vários estabelecimentos militares solicitavam ao Batalhão, não admitindo que, em serviço, se usassem o que ele chamava de “paisanadas”, exigindo uma linguagem precisa e concisa em todo o tipo de comunicações de serviço.
Mais tarde, o país soube que foi um dos “capitães de Abril” e o responsável pelas comunicações das várias células que organizaram e concluíram com o êxito que se conhece a revolução democrática.
Que não se deve brincar em serviço todos mais ou menos sabemos, sobretudo em funções públicas e de alta responsabilidade; e este caso de Tancos também revela bandalheira a outros níveis, como o M.P.ter recebido uma denúncia do que veio mesmo a acontecer, ter jogado a coisa no cesto dos papéis sem nem aos responsáveis daquela unidade militar terem dado conhecimento!
É claro que para a Cristas e outros “cristalinos” que não são capazes de mais nada que não seja meter nojo, o ministro da Defesa é que deve ser demitido, e já…


Amândio G. Martins

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