quinta-feira, 30 de abril de 2020

no 1.º DE MAIO de 2020, Elogio da Dialética




Neste 1.º DE MAIO de 2020, imprevisível e diferente, este poema de Bertolt Brecht (1892-1956), com tradução de Arnaldo Saraiva.  

ELOGIO DA DIALÉTICA

A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder pregoa: as coisas continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje


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