domingo, 19 de março de 2017

Administradores misericordiosos


O programa televisivo ‘Sexta às 9’ da RTP, no passado dia 17/3, pôs em evidência um alegado caso de negligência sobre uma utente-criança à guarda da Santa Casa de Misericórdia de Viseu.
O seu provedor - Adelino Costa -, na minha modesta opinião, foi ‘massacrado’ publicamente pela pivô principal do referido programa – a jornalista Sandra Felgueiras -, deixando passar a imagem de que as Misericórdias são um cambada de malfeitores, sugadoras do Estado, através da Segurança Social.
Existem em Portugal cerca de quatro centenas de Misericórdias, de grandeza díspar e diversos tempos de secularidade, sendo que, a quase totalidade delas, excepto, suponho, a de Lisboa, são administradas a título de voluntariado, isto é, todos os seus membros – assembleia geral, mesa administrativa e conselho fiscal – prestam serviços não remunerados.
 Repito: quase que pagam para serem administradores misericordiosos, pelo que penso que o mundo materialista não compreende lá muito bem este filantrópico ponto de vista a favor do semelhante, a que o povoléu diz ‘trabalhar para aquecer’.
Portanto - penso eu, mais uma vez -,tomando-se ‘a nuvem por Juno’, os responsáveis do programa ‘Sexta às 9’ prestaram um mau serviço à comunidade, de modo a enegrecer todos os misericordiosos serviços prestados pelas seculares Misericórdias, em que os seus órgãos administrativos tudo tentam fazer pelo bem de todas as pessoas – crianças, jovens, idosos e incapacitados – entregues à sua guarda.

José Amaral

7 comentários:

  1. Mais uma vez, concordo consigo, amigo Zé.A Sandrinha prestou um mau serviço. Assim como há tanta indiferença em relação a quem "trabalha para aquecer" em prol dos outros. É no seu caso. E no meu. São milhares nas autarquias e nas Misericórdias. Até há quem diga que queremos é tacho. Abração!

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  2. Assim como não generalizo do particular para o geral do que se terá passado na Misericórdia de Viseu, também não aceito que a generalização seja feita ao contrário, como o José escreve, tornando todos misericordiosos puros. A Sandra Felgueiras não "massacrou" o provedor de Viseu, antes denunciou caso(s) que, como outros idênticos, devem ser denunciados, prestando assim um bom serviço à comunidade pois a informação deve cumprir o seu papel. Gente boa, felizmente, existe muita, basta ver o rosto ingénuo duma senhora com uma lata de peditório da Cáritas ao pescoço dizendo que não pergunta para onde vai o dinheiro que fica dentro daquela.Mas nós agora sabemos que somente 18% ( desse, mais do que o Estado subsidia) vai para os pobres pois o resto está em "obrigações dos Bancos). Também foi mostrado na mesmíssimo programa "Sexta às 9", também é informação, também é transparência.

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  3. Concordo em absoluto com o comentário do "analista" pois também assisti ao programa e as realidades têm de ser ditas e nem tudo pode ser medido da mesma forma. Também já pertenci durante alguns anos aos corpos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Montijo, onde, como em qualquer lugar da sociedade, nem todos os elementos e colaboradores eram seres perfeitos. Não se deve generalizar na apreciação dos erros, mas não se deve, também, santificar todos os que pertencem à equipa, porque, mesmo havendo muito cuidado, aparecem sempre nódoas no pano.

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    1. Essa do "analista", Joaquim! Bom, tomo-a à guisa de um "mimo"! Abraço, "de analista para analista"!

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  4. Eu, agora, defendo a 'minha paupérrima dama', a Misericórdia de Armamar, e eu mesmo, que faço 250 quilómetros (ida e volta) para estar presentes em todos os actos mais prementes e estatutários, sabendo, agora melhor, o que nela e nelas se passa. Também a minha esposa é voluntária no Hospital Santos Silva, no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, e os seus gastos - físicos e morais - são muitos. Portanto, confundir-se a 'árvore com a floresta' não me parece de bom tom, tendo em conta o sermos falíveis, logo, nem sempre assertivos. Os meus bons dias para todos os amigos e não só. Bom Domingo.

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    1. Talvez esteja a ser demasiado "respondão" mas diga-me, se o entender: a "sua" Misericórdia, a de Armamar, tem alguma coisa a ligá-la a outras Misericórdias (penso que sim pois há uma União de Misericórdias, não?) ou é como na Cáritas Diocesana de Lisboa que anda "em guerra" com a Cáritas Portuguesa (como se ambas não partilhassem " o mesmo sangue") na disputa de recebimento de três milhões de euros que uma senhora quis doar... aos pobres?

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  5. E eu precipitei-me, afinal a Sandra Felgueiras parece que fez o que devia fazer: denunciar o que está mal. Lá está, não devemos é generalizar.

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