segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Europa tem alma?


Peter Sutherland, irlandês, 70 anos, representante especial das Nações Unidas para as Migrações e o Desenvolvimento, entrevistado há dias pelo Público, declarava-se preocupado com a alma da Europa. Mas será que ela ainda a tem? Ou, pura e simplesmente, a substituiu pelo porta-moedas e pela conta bancária? Se a mantivesse com os desígnios com que nasceu, teria acontecido este “inesperado” sucesso do Brexit? Os dirigentes europeus e as políticas que vêm prosseguindo são os directos responsáveis por este desfecho. Inclino-me a acreditar que os cidadãos europeus desejam a integração, não obstante a erupção de movimentos populistas que a repudiam e que também são o complemento directo dos mesmos protagonistas, que insistem em moldar os cidadãos às suas vontades, ideias e interesses, elevando aos altares objectivos reducionistas de uma construção humana que, no início, perseguia valores como democracia, solidariedade, justiça e humanismo. Mesmo os defensores do Bremain, incluindo, provavelmente, a malograda Jo Cox, mais não fizeram do que esgrimir argumentos de baixa ordem materialista para convencerem os concidadãos à manutenção. Algo não está bem nesta UE se os britânicos, apesar de desde sempre alvos de tratamento privilegiado e avisados à exaustão dos prejuízos com que vão arrostar, ainda assim quiseram sair. A pobreza dos argumentos mostra que a alma da Europa se escapuliu na ponta do bisturi de Caudillac. E, a continuar assim, nunca mais a reencontramos.

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