terça-feira, 10 de dezembro de 2019


Da vida nos subúrbios...


...”Mas não deixa de ser engraçado, mesmo assim, quando passamos diante destes prédios, vemo-los ali da estrada, são prédios ocupados por famílias moderadamente estáveis, apartamentos hipotecados aos bancos, apartamentos de jovens casais que começam a vida, o que é começar a vida?, enchê-la de impostos, dívidas aos bancos, seguros de poupança-reforma, mulheres-a-dias que vão dia-sim, dia-não da parte da manhã, filhos nascidos no fim da Primavera, feitos durante o Verão, logo a seguir ao casamento, apartamentos ocupados por mobiliário oferecido pelos pais ou comprado às prestações, colecções de livros escolhidos pelas páginas de crítica literária, filhos que crescem para serem netos e não para serem filhos.
 
Apartamentos cheios de pequenas heranças, de maus-feitios, de empréstimos familiares, de jantares congelados e plantas nas janelas, de fome, de semifome, de bifes de peru, microondas comprados a prestações, cinema à segunda porque é mais barato, passeios nos centros comercias ao domingo, café e bolos aos sábados de manhã na pastelaria do bairro, os resumos das telenovelas, discos de música portuguesa melancólica e sonolenta, leitura do Expresso durante o fim-de-semana, tudo tão miserável”.

Nota – apontamentos colhidos no livro anexo...


Amândio G. Martins




2 comentários:

  1. Sim, será um bocado deprimente, mas o FJV há-de dizer-me porque será "miserável"...

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  2. Se lhe colocar a questão assim, Francisco José Viegas poderá responder-lhe que quem fez tal apreciação foi o inspector da Polícia Judiciária Filipe Castanheira, um dos personagens do seu livro, que foi para os lados de Telheiras à procura de elementos que lhe permitissem desvendar um crime...

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