quarta-feira, 6 de maio de 2020

A crise confinada… aos outros


A Constituição Alemã não o dirá explicitamente, mas já todos percebemos, mesmo sem a ler, que as crises são “direito” exclusivo dos outros. E se os maiores prejudicados pelas decisões como a que agora tomou o Tribunal Constitucional da Alemanha forem os PIGS, tanto pior para estes. Não são onze contra onze, como diria Gary Lineker, mas já sabemos que, no final, quem ganha, isto é, quem manda é a Alemanha. Se uma instituição portuguesa se atrevesse a dar um prazo para que o poderoso (contra os fracos) BCE explicasse as razões das medidas que toma, que aconteceria? No mínimo, cairia o Carmo e a Trindade, e as taxas de juro que pagamos acabavam a subir. Aliás, começo a pensar que, façamos o que fizermos, as nossas taxas de juro agravam-se. 
Não se deseja uma catástrofe nacional alemã, mas, se ela acontecer, ninguém poderá admirar-se por alguma reserva na solidariedade de alguns dos parceiros europeus. A cautelosa e previdente Alemanha parece pensar que está acima de qualquer contingência e esquece que cada um se deita na cama que faz. 

Público - 08.05.2020


 

 

3 comentários:

  1. Acompanho-o na sua crítica à posição do Tribunal Constitucional Alemão. Não o faço nas previsões pessimistas que tem quanto ao vencimento da postura desse mesmo tribunal. A "procissão vai no adro" e o que vi foi uma reacção firme das instãncias europeias, afirmando a supremacia do Direito europeu. A ajudar-me nesta posição está a lembrança do que se passou com Mário Draghi, aqui há poucos anos, em que este teve vencimento sobre idêntica posição da mesmíssima instituição jurídica alemã....
    Falaremos novamente dentro de algum tempo. E aqui estarei a dar a minha opinião, qualquer que ela seja na ocasião, sobre o desenlace. Isto enquanto outros "rezarão" para que o seu pessimismo ganhe (coisa que, suponho, nem o próprio José deseja) e assim possa alimentar a esperança no regresso dum (duns) triste(s) passado(s)....

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  2. Com toda a sinceridade, oxalá o Fernando tenha razão.

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