Velhos barulhentos e peideiros...
Dos “rapazes” do meu tempo que ainda mexem, alguns adoram
provocar-me porque não alinho nas suas patuscadas e excursões; e nem quando
passam aqui em frente, dizem, conseguem põr-me a vista em cima, que eu não só
me escondo como escondo até a casa, tal
a altura dos portões e da vedação que a rodeia.
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Reformados quase todos do estrangeiro, do trabalho de
lavoura só fazem o que couber ao tractor, que o trabalho de enxada fica todo
para a “velha”, coitada, que ainda tem de fazer a comida e cuidar dos animais;
quando os provoco com isso, respondem que tiveram lá fora uma vida dura, no que
eu acredito, e têm direito a gozar um pouco agora, para o que se juntam em
excursões que percorrem grande parte do país; quando me tentam para que vá também,
eu sempre me escuso, na gargalhada, que nem morto entrava num autocarro cheio
de velhos barulhentos e peideiros, ao som das brejeirices do Quim Barreiros. “Eh, pá, ninguém se peida lá dentro”!
Mas deve ter sido um desses brincalhões que, pela calada da
noite, colocou na minha sebe a placa de uma imobiliária, surripiada de um
terreno próximo que está à venda, e quando de manhã ia a saír fiquei a saber
que também tinha a casa à venda sem o meu conhecimento; ainda não tive tempo
para “investigar”, mas depressa saberei qual foi o engraçado, que eles “descaem-se”
muito...
Amândio G. Martins
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