domingo, 24 de maio de 2020


Uma definição do amor...


É um nada amor que pode tudo,
É um não se entender o avisado,
É um querer ser livre e estar atado,
É um julgar o parvo por sisudo;

É um parar os golpes sem escudo,
É um cuidar que é e estar trocado,
É um viver alegre e enfadado,
É não poder falar e não ser mudo;

É um engano claro e mui escuro,
É um não enxergar e estar vendo,
É um julgar por brando o mais duro;

É um não querer dizer e estar dizendo,
É um no mor perigo estar seguro
É, por fim, um não sei quê, que não entendo.

Nota – Este soneto, publicado como anónimo na “Fénix Renascida”, está atribuído a António da Fonseca Soares, poeta e missionário, que viveu na segunda metade do século XVII. Transcrito do livro anexo por


Amândio G. Martins




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