sábado, 16 de maio de 2020


Política nossa de cada dia...


Na situação que atravessamos, uma crise política é o que menos interessa, mesmo àqueles que eventualmente a provoquem porque, para se governar assim, são precisos nervos de aço e a  verdadeira noção do que pode acontecer se cada instituição entra em passa-culpas; e aquilo a que chamaram “mini-crise” política não foi mais que o resultado de  falarem  de mais, quer o presidente quer o primeiro-ministro.

“Costa segura Centeno no Governo até Julho” - dizia-se no JN  – como se estivesse a ser feito ao ministro das finanças algum favor, quando tem sido ele a trave-mestra deste Governo, e o mais fácil para ele seria livrar-se desse fardo; e tendo os milhões da discórdia transferidos para o famigerado Novo Banco entrado no Orçamento do Estado, previstos portanto com muita antecedência, fica claro o artificialismo do barulho agora vindo a público.

É sabido que aquele banco é uma pesada herança do Governo anterior, que manteve intencionalmente os problemas da banca em geral sem fazer ondas, com a “castanha” pronta a rebentar a qualquer momento ; e foram públicos os problemas no BES, com o primo do Salgado, Zé Maria e tal, a não fazer segredo da situação gravíssima que atravessavam, na sequência do que o próprio Salgado pediu ajuda a Passos Coelho, que poderia ter evitado o descalabro que se deu, com muito menos custos para o país.

Coelho ainda teve o desplante de apresentar a “nega” como tendo sido uma decisão de génio, quando boa decisão teria sido substituír toda a equipa de gestão do banco por gente séria, e não deixar que tantos portugueses, muitos emigrantes, perdessem as suas economias. É sabido também que, pelo menos em Portugal, os banqueiros gozam da chamada “imunidade de rebanho”, porque beneficiam de uma teia de relações pronta a entrar em acção quando alguma coisa menos boa os ameaça...


Amândio G. Martins

3 comentários:

  1. O seu segundo parágrafo é-me muito caro. Porque estou de acordo com os famigerados 850 milhões emprestados ao BPN? Obviamente que não, mas sim pelo que diz: o Orçamento existe, foi aprovado, e nele lá está a dita quantia! Portanto criou-se a "ideia" que Centeno abusou e a verdade é que cumpriu. O resto são os habiyuais "malabarismos maquiavélicos" do PR e o súbito "tandem" com o PM....

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  2. Desculpem a blague: sendo Centeno o mestre das cativações, era só mais uma...

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  3. A culpa é dos outros, nunca é nossa...

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