sexta-feira, 29 de maio de 2020

Uma bola de Berlim


Estes últimos tempos, cerca de dois meses e meio, a vida dos portugueses e de todo o mundo tem levado muitas voltas, muitas alterações, noticias e informações que muitos de nós ainda não conseguimos digerir na sua totalidade.
Fique em casa – não saia. Ficamos em casa e como alimentamos a dispensa? O que vamos comer? E as crianças e a escola, e a faculdade? E apareceu o ensino e o trabalho  por computador ou videoconferência e depois apareceram novas complicações para aqueles não tinham aqueles equipamentos ou que as redes informáticas não abrangiam as suas moradas. Temos estado mergulhados num tempo que não sabíamos que existia mas, cumprindo quase exemplarmente, temos sobrevivido e quase que estamos a atingir a normalidade. Normalidade que agora é andarmos de máscara em muitos locais, lavarmos as mãos com muita frequência e passar por desinfectante à base de álcool, não dar abraços nem beijinhos e sentarmo-nos nas mesas dos restaurantes e esplanadas bem longe do vizinho do lado. Mas até nos estamos a portar muito bem e há quem diga que já vê uma luz ao fundo do túnel a dizer que já vamos passar o Natal todos junto.
Porém este ano não vou comer uma bola de Berlim na praia. Eu explico: desde miúda que o Verão significava comer uma bola de Berlim no fim de uns bons mergulhos no dias de Verão. Com as voltas que a vida dá, a estadia na praia no Verão não tem acontecido mas… o Café Memória que mensalmente se reúne aqui em Algés organizava uma ida à praia de Santo Amaro de Oeiras no final do mês de Junho e com os pés na água era tempo de comer a minha bolinha.
Estes encontros do Café Memória por causa do vírus não se têm realizado e parece-me que a ida à praia no mês que vem não se vai acontecer. E assim a minha bola de Berlim terá de esperar um ano.

Maria Clotilde Moreira

Jornal Costa do Sol - 27.05.2020

1 comentário:

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